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CLIPPING: TONICO´S BOTECO

Correio Popular - Caderno C - Capa - Nascido para o samba


Nascido para o samba

Bruno Ribeiro// Da Agência Anhangüera// bruno@cpopular.com.br

Marcos Sacramento, malandro contemporâneo da Lapa, é capaz de lotar clubes noturnos e incendiar festivais por toda a Europa, onde goza de bom cartaz. No Brasil, porém, ainda é um ilustre desconhecido. Dono de uma voz nascida para o samba e de uma bossa moderna que não nega a tradição, o carioca de 44 anos acaba de lançar o segundo disco de carreira e vai ocupando, devagarinho, um lugar merecido entre os melhores intérpretes da música popular brasileira na atualidade.

O show Memorável Samba, baseado no CD que a gravadora Biscoito Fino lançou no meio do ano passado, poderá ser conferido pelo público campineiro hoje, no Tonico’s Boteco. É a primeira vez que Sacramento se apresenta em Campinas. “Vou mostrar o repertório do disco, baseado nos sambas feitos na época de ouro da música brasileira, que vai da década de 1930 a 1950”, revela o artista.

Nascido em Niterói, Marcos Sacramento começou a carreira artística no grupo de vanguarda Cão Sem Dono, que misturava rock a outros gêneros musicais. O encontro definitivo com o samba viria em 1986, quando o cantor foi convidado pela Funarte para participar de um tributo ao compositor Custódio Mesquita (1910-1945). “Fiquei fascinado e não larguei mais”, conta, em entrevista ao Caderno C.

Ainda que rejeite o título de sambista – adquirido desde seu primeiro disco, Saravá, Baden Powell (Biscoito Fino, 2002) –, Marcos Sacramento é considerado um dos nomes mais importantes do samba que tem sido feito na Lapa carioca, sobretudo nos últimos cinco anos. Memorável Samba é um apanhado afetivo de compositores que ajudaram a fundar a música brasileira, como Noel Rosa, Herivelto Martins e Assis Valente, dentre outros.

No show de hoje, Marcos Sacramento será acompanhado pelo grupo campineiro Quarteto de Cordas Vocais, formado por Adriano Dias (violão 7 cordas), Dudu Baradel (cavaquinho), Chiquinho (pandeiro) e Rodrigo Duarte (surdo).

O cantor falou ao Caderno C, pouco antes de embarcar para Campinas, onde se apresenta, hoje, a partir das 21h30.

Caderno C – Hoje você é considerado um dos grandes nomes da nova geração do samba carioca, mas na década de 1980 era vocalista de uma banda de rock. Em que momento você cai definitivamente no samba?

Marcos Sacramento – Houve um momento preciso: quando recebi o convite da Funarte para participar de um disco sobre Custódio Mesquita, passei meses debruçado sobre a obra dele. Fiquei fascinado. Foi então que eu percebi que muitas daquelas canções eu já conhecia pelos meus pais, que sempre ouviram música boa em casa. Até então eu pensava que Aracy de Almeida fosse apenas a jurada mal-humorada do Sílvio Santos (risos). A música popular brasileira é tão rica que faz parte da nossa vida mesmo quando a gente acha que não. Pra cair no samba foi um pulo. E o samba é um caminho sem volta...

Mas você continua recusando o título de sambista?

Quem me dera ser sambista! Insisto em dizer que não sou, pois tenho um respeito enorme pelo samba. Eu sou apenas um cantor que ama o samba. Mas daí a me considerar sambista são outros quinhentos. Sambista é Nelson Sargento, Monarco, Zeca Pagodinho. Minha curtição é conhecer as muitas variantes do samba, é poder ter esta liberdade de não me ater à um rótulo.

Fale sobre a decisão de incluir quatro sambas de Noel Rosa no disco. Você tem uma predileção especial pelo compositor? Que critérios usou na escolha do repertório?

Eu não sabia que iria incluir quatro músicas de Noel antes de iniciar a produção do disco; os sambas foram surgindo e se encaixando dentro do repertório de tal forma que não pude mais tirá-los. Considero Noel Rosa um paradigma, um gênio absoluto, o maior de seu tempo. É até compreensível que ele tenha mais de um samba neste disco, já que a proposta era resgatar o melhor da época de ouro da música brasileira. A escolha do repertório seguiu um critério puramente afetivo.

Memorável Samba

O cantor carioca Marcos Sacramento, acompanhado pelo Quarteto de Cordas Vocais, interpreta sambas dos anos 1930 e 40. Hoje, às 21h30, no Tonico’s Boteco. (Rua Barão de Jaguara, 1.373, Centro, fone: 3236-1664). Couvert: R$ 12. A casa aceita reservas de mesa.

Crítica

É pra tocar no rádio

Memorável Samba é um disco primoroso, que deveria estar tocando nas rádios, se este fosse um País sério. Ao receber arranjos de Luiz Flávio Alcofra e Jayme Vignoli, o disco ganhou um bem-vindo sabor de novidade – porque o próprio Marcos Sacramento é moderno –, mas sem deixar perder o vínculo com a tradição e com a malandragem atemporal que trazem os sambas de Geraldo Pereira, Ataulfo Alves, Wilson Batista.

Ao todo, o CD revive 13 sambas criados entre 1932 e 1955. Vai de Mulato Bamba, de Noel Rosa, a Notícia, de Nelson Cavaquinho. São sambas que não mereciam uma gravação há muitas décadas, de modo que, além de atualizar versões antigas, Sacramento apresenta antigas composições para o público jovem, que superlota as casas noturnas da Lapa quando ele está cantando.

Difícil é eleger a melhor faixa do disco. Dentre as mais animadas está Deixa Falar, samba do esquecido Nelson Petersen, cujo refrão contagiante presta uma homenagem a clubes de futebol. Ficaria sendo uma espécie de hino brasileiro para a Copa do Mundo da França, em 1938: “Este samba tem Flamengo/ Tem São Paulo e São Cristóvão/ Tem pimenta e vatapá/ Fluminense e Botafogo já têm seu lugar”.

Noel Rosa, sambista por quem Sacramento manifesta devoção, ganhou nada menos do que quatro ótimas faixas. Felizmente o cantor fugiu do senso comum e optou por gravar sambas menos conhecidos do poeta de Vila Isabel. Dele, entraram O X do Problema (aquele que diz que “palmeira do mangue não vive na areia de Copacabana”), Triste Cuíca, Só Pode ser Você e Mulato Bamba, este gravado originalmente por Mário Reis e que é tido como o primeiro samba a falar sobre homossexualismo. A letra conta a história de um mulato forte, nascido no morro do Salgueiro, que não quer “saber de fita, nem com mulher bonita”. Noel teria escrito o samba inspirado no lendário travesti Madame Satã.

Autores clássicos, como Assis Valente (Meu Moreno Fez Bobagem), Geraldo Pereira (Onde está Florisbela), Wilson Batista (Esta Noite eu Tive um Sonho), Ataulfo Alves (Errei, Erramos) e Nelson Cavaquinho (Notícia), aparecem muito bem representados. Em todas as faixas, Marcos Sacramento deixa sua marca definitiva e não deve em nada aos registros originais. Como poucos de sua geração, ele doma linguagem do samba quando solta a voz, atrasando e adiantando notas com perfeita naturalidade. É malandro, na acepção da palavra.

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