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O ex-jogador, ex-técnico e hoje escritor, Thomaz Soares da Silva, o Zizinho, um dos grandes nomes do futebol brasileiro e o maior ídolo do Rei Pelé, provou que apesar dos seus 80 anos de idade, lembra como se fosse hoje, das histórias que vivenciou dentro e fora de campo, durante o lançamento do livro “Mestre Ziza, Verdades e Mentiras do Futebol”, na última terça-feira, dia 4, no Tonico´s Boteco, em Campinas (SP).
A imprensa esportiva campineira teve a oportunidade de conversar com Zizinho durante a coletiva de imprensa e explorar o conhecimento do jogador que compôs a seleção de 1950 e é maior ídolo do Rei Pelé. Mestre Ziza contou aos presentes mentiras que ele vê na mídia e que foi um dos incentivos para o ex-jogador escrever o livro. Quanto a situação atual da seleção brasileira o Zizinho é categórico. “O problema é a desorganização”. O ex-jogador não deixou de lembrar do seu técnico preferido, Bora Milutinovic, que classificou esse ano, pela primeira vez na história, a seleção chinesa, para uma Copa do Mundo. “O Bora é um técnico que eu admiro muito e ele disse que se o futebol brasileiro não fosse tão desorganizado a seleção não perdia um campeonato”, completa.
A noite foi marcada pelo reencontro de Zizinho com alguns antigos amigos do esporte. O jogador Renato, campeão brasileiro pelo Guarani, em 1978, foi uma das surpresas agradáveis que o Mestre Ziza recebeu.
Entrevista a Edu Caruso
O Tonico´s Boteco traz a Campinas um dos maiores nomes do futebol, o ex-jogador, ex-técnico e agora escritor, Thomaz Soares da Silva, o Zizinho, ou Mestre Ziza no próximo dia 4, Terça-feira, a partir das 20h, para uma noite de autógrafos do seu livro "Mestre Ziza - Verdades e Mentiras no futebol", lançado no mês de setembro, pela Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro. As 233 páginas revelam a história do futebol através da evolução do esquema tático dentro do esporte mais popular do mundo. "Eu conto histórias reais e as mentiras que alguns caras dizem", afirma o autor. O livro começa quando Zizinho tinha 6 anos de idade e conheceu a primeira formação defensiva para se jogar futebol. "Com um beque de avança e um beque de espera", comenta Ziza. O livro está a venda no local pelo preço de R$ 20. A entrada é franca e não será cobrada consumação mínima. A iniciativa do Tonico´s Boteco e da Livraria Pontes.
Além de uma carreira brilhante, Zizinho, tem motivos de sobra para se orgulhar da sua trajetória no futebol, afinal de contas, é o maior ídolo do melhor jogador que o mundo pode ver nos gramados, o Rei Pelé. No 78º aniversário de Ziza, dia 14 de setembro de 1999, o Rei ofereceu uma placa de prata com os dizeres: "Ao meu maior ídolo, com amizade e admiração, do Pelé". Zizinho se orgulha quando fala da admiração de Pelé pelo seu futebol. "Um dia eu encontrei o Pelé, ele me falou que quando me via jogar virava para o seu Dondinho (pai de Pelé) e dizia, um dia eu vou jogar com ele". Uma das maiores frustrações do ex-jogador foi justamente não jogar a Copa de 1958 com Pelé. Zizinho foi convocado 3 dias antes da viagem e não foi para não ocupar o lugar do garoto Pelé três dias antes da viagem. "Eu ia tirar um menino com um passaporte nas mãos, um terninho novo e que já tinha se despedido dos amigos". Quanto a comparação entre Pelé e Maradona para saber quem realmente é dono do trono do futebol, Zizinho responde com firmeza, "O Maradona não é nem o melhor jogador argentino da história. O Pelé desde a 1ª partida que vi ele jogar, já virou meu ídolo. Ele é o Rei do futebol".
Zizinho nasceu no ano de 1921, na Av. Paiva, 77, em São Gonçalo (RJ), onde era sede do Carioca Football Club, time fundado por seu pai, e alguns amigos da bairro Paiva. Em 1936, aos 15 anos, com a camiseta preta e vermelha, parecida com a do Milan, e o calção azul, do Carioca, o craque, começou a ensaiar seus primeiros toques, dribles e chutes geniais. Depois de 2 anos, se transferiu para o time do Byron, onde jogou 4 meses e, em 1939, foi para o Rio de Janeiro jogar no Flamengo. Foi uma trajetória de onze anos na equipe rubro negro, até que em 1950, despediu-se da Gávea e foi para o Bangu, time que segundo ele, a arbitragem nunca deixou conquistar muitos títulos. "O Bangu é que nem a Portuguesa (SP). Não adianta que na hora ninguém deixa ganhar nada", afirma Zizinho. Em 1957, se transferiu para o São Paulo, onde ficou por cerca de 2 anos. O ex-jogador pediu a rescisão de contrato com o time paulista, após a diretoria do clube não desmentir uma matéria publicada pela imprensa dizendo que o atleta tinha uma vida desregrada.
Mesmo assim, quando questionado sobre o time de coração, Mestre Ziza, responde pensativo, "Eu gosto do São Paulo, porque até hoje lá eles me tratam como gente". No período de 1959 a 1962, Zizinho jogou no Marília, e no Audax Italiano, do Chile. A carreira de técnico não foi tão brilhante como a atuação dentro das quatro linhas. Dirigiu o América (RJ), Bangu, Vasco, Audax Italiano e a seleção olímpica brasileira, onde conseguiu o título Pan-americano, em 1975.
Copa 2002
"A seleção Brasileira joga no 4-4-2. Esse é um esquema totalmente ultrapassado", afirma Ziza. Segundo ele, o principal problema da seleção brasileira atual é a esorganização e o envolvimento de empresas no comando da seleção. "O que me dói é que não dá para saber quem manda na seleção brasileira. São dirigentes ou as empresas?". Zizinho não cita nenhum técnico brasileiro com plenas condições de comandar a seleção. "Nós não tem0os um técnico como o Bora Milutinovic. Ele conseguiu agora pela primeira vez a classificação da seleção chinesa para a Copa 2002, além de levar mais 4 países", desabafa Zizinho. "O Bora falou que graças a Deus o futebol brasileiro é desorganizado, porque se não ganhava tudo", conclui Ziza, que desafia qualquer dirigente da CBF (Confederação Barsileira de Futebol) a um debate na TV. "Tem que ser ao vivo se não eles montam a entrevista como eles querem".
Copa de 50
Zizinho era um dos jogadores que compunham o elenco da seleção brasileira na Copa de 1950. A equipe perdeu a final para o Uruguai por 2 a 1 de virada, em pleno Maracanã, com um público aproximado de 200 mil pessoas. "Nós não tínhamos time para ganhar", afirma o craque. Segundo ele, a seleção Uruguaia possuía uma tática de jogo, enquanto o Brasil, jogava no esquema "bumba meu boi". O ex-jogador conta que após a fatídica final, os jogadores foram um para cada canto do vestiário, até que chegou um dirigente da CBD (Confederação Brasileira de Desporto), que Zizinho não se lembra o nome e disse, "Não foi nada rapazes, Que maravilha! Deu seis milhões de renda".
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