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| VACINA CONTRA DENGUE DO BUTANTAN ENTRA NA FASE FINAL
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11/03/2016 - Na ocasião, foi assinado um acordo entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan que prevê investimento de R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo.
A terceira fase de ensaios clínicos da vacina contra a dengue começa com 1,2 mil voluntários recrutados pelo HC/FMUSP – um dos 14 centros credenciados pelo Butantan para a realização dos testes, que envolverão 17 mil participantes de 13 cidades nas cinco regiões do Brasil. Dez pessoas foram vacinadas no primeiro dia.
A estimativa do Instituto é que todos os participantes estejam vacinados dentro de um ano. Os resultados da pesquisa dependem de como será a circulação do vírus, mas o Butantan acredita ser possível ter a vacina disponível para registro até 2018.
Os voluntários já inscritos entraram em contato diretamente com o hospital ou deixaram seus dados no Serviço de Atendimento ao Cidadão do Butantan, autorizando que eles fossem repassados ao centro de pesquisas do complexo hospitalar. Eles têm entre 2 e 59 anos de idade e residem em diferentes localidades da capital paulista e da região metropolitana da Grande São Paulo.
Na capital paulista, o cadastro de interessados em participar do estudo passa de dois mil. Podem ser voluntários do estudo pessoas que estejam saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas-etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. Interessados também podem procurar o SAC do Butantan pelo e-mail sac@butantan.gov.br.
Os participantes serão acompanhados por um período de cinco anos para verificar a duração da proteção oferecida pela vacina. O acompanhamento será feito por meio de visitas programadas para coleta de amostras, além de contatos telefônicos e mensagens por celular.
A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com o National Institutes of Health (EUA), tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue com uma única dose e é produzida com os vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença.
Além do HC, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na capital paulista, também foi credenciada pelo Butantan para a realização dos testes da fase 3. Nos outros 12 centros, o cronograma de vacinação deverá ser divulgado em breve.
A pesquisa também será conduzida em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), São José do Rio Preto (SP) e Porto Alegre (RS).
Até o momento, a vacina já foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos EUA pelo National Institutes of Health (NIH), e 300 na segunda etapa, realizada na cidade de São Paulo pela Faculdade de Medicina da USP, parceira do Butantan. Os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e é potencialmente eficaz.
Ao todo, o governo federal se comprometeu a investir R$ 300 milhões para concluir os testes do imunizante. Além dos recursos do Ministério da Saúde, estão sendo analisados outros R$ 100 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de um contrato da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e R$ 100 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).
Alckmin anunciou ainda que outros R$ 100 milhões serão investidos pela FAPESP nos próximos cinco anos em pesquisa aplicada ao desenvolvimento de vacinas, soros, técnicas de diagnóstico rápido, estudos epidemiológicos (coorte) e outros temas relacionados aos vírus causadores de Zika, dengue e chikungunya. Também serão financiadas pesquisas voltadas ao controle do mosquito vetor de todas essas doenças, o Aedes aegypti.
urante o evento, Dilma Roussef ressaltou que, enquanto a vacina não está disponível, são necessárias ações para combater os criadouros do mosquito vetor. “Precisamos tomar uma atitude efetiva para evitar que mais crianças nasçam com microcefalia e mais pessoas tenham dengue, febre chikungunya e Zika, que é o extermínio dos criadouros do mosquito. Temos feito campanhas de mobilização, utilizando as Forças Armadas, Corpo de Bombeiros e aulas nas escolas sobre o assunto. Só tem uma única forma de combater o vírus Zika hoje, que é não deixar o mosquito nascer”, ressaltou a presidente.
Já o ministro da Saúde classificou a pesquisa do Butantan como “promissora”. “Pode nos auxiliar na busca de soluções contra o vírus Zika”, disse Castro.
De acordo com o presidente da FAPESP, José Goldemberg, “há oito anos a Fundação está atuando ativamente em pesquisas nessa área (desenvolvimento de soros, vacinas, combate ao Aedes e doenças por ele transmitidas) e já investiu no período R$ 48 milhões”.
“Foi graças ao apoio dado pela FAPESP oito anos atrás para a produção de lotes experimentais da vacina contra a dengue no Butantan, que hoje está sendo possível iniciar essa última etapa do ensaio clínico, que tem como objetivo comprovar a eficácia do imunizante”, ressaltou Brito Cruz.
Segundo informou o diretor científico da FAPESP, ainda nesta semana será anunciada, em parceria com a Finep, uma chamada de propostas que visa ao desenvolvimento de tecnologias para produtos, serviços e processos para o combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti. Os recursos alocados para financiamento dos projetos selecionados no edital são da ordem de R$ 10 milhões.
Além disso, a Rede Zika, formada por pesquisadores em várias instituições no Estado de São Paulo, está ativa em dezenas de projetos de pesquisa no tema (saiba mais sobre a Rede Zika em agencia.fapesp.br/22671. Novas solicitações de financiamento para pesquisa estão sendo recebidas de forma contínua.
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